SIEX - Sistema de Informações de Extensão

27741 - GPS da Ancestralidade: Cartografias Afro Pedagógicas e Descolonização do Currículo
Ano Base: 2025
Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino

Plano de ensino: Pretende-se introduzir à metodologia psico-pedagógica GPS da Ancestralidade, explicando a sua origem, o seus fundamentos e pilares do método. Serão mapeadas as cartografias ancestrais e de pertencimento, focando na infância, na memória e no território. Será discutida a importância de ensinar a África como potência. Abordaremos a oralidade, o corpo e a espiritualidade na Educação, a cultura material e linguística africana, introduziremos as questões relacionada aos PALOP e à Diáspora Africana, e pensaremos em conjunto o Letramento Racial Humanizado. Além disso, será realizada uma breve oficina de Planejamento Pedagógico Afro Perspectivado e uma Apresentação dos Projetos de Aplicação.

Objetivos e Resultados Esperados: Capacitar educadores, pesquisadores e agentes culturais no uso da metodologia GPS da Ancestralidade, promovendo a valorização da cultura afro-brasileira e africana por meio de práticas pedagógicas descolonizadoras, multissensoriais e interdisciplinares. Objetivos específicos e resultados: ¿ Ensinar a África além do sofrimento ¿ Incentivar conexões culturais, conhecimentos de dados da geopolítica ¿ Praticar o Letramento Racial Humanizado ¿ Habilitar os alunos para desenvolverem material didática e aplicá-lo

Justificativas: O curso responde à necessidade urgente de combater o epistemicídio nas escolas e nas universidades. Apesar da Lei 10.639/03, o ensino da história e cultura africana ainda é marginalizado ou tratado de maneira superficial. O método GPS da Ancestralidade surge como uma proposta prática, lúdica e profunda de transformação curricular.

Metodologias: ¿ Introdução ao GPS da Ancestralidade ¿ Usar o teatro, a contação de histórias e as experiências multissensoriais ¿ Introdução às línguas africanas (como Umbundu, Kimbundu, línguas de tradição bantu) ¿ Utilização da arte, música e arquitetura como recurso didático ¿ Aplicação de educação comparada ¿ Desenvolvimento de propostas práticas para o ambiente escolar ¿ Estratégias para a inclusão de crianças com deficiência e autistas ¿ Elaboração de sequências didáticas baseadas no método

Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: Módulo 1: O que é o GPS da Ancestralidade? Módulo 2: Cartografias Ancestrais e Pertencimento Módulo 3: Oralidade, Corpo e Espiritualidade na Educação Módulo 4: Cultura Material e Linguística Africana Módulo 5: Os PALOP e a Diáspora Africana Módulo 6: Letramento Racial Humanizado Módulo 7: Oficina de Planejamento Pedagógico Afro Perspectivado Módulo 8: Apresentação dos Projetos de Aplicação

Referências (bibliográficas e outras): ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019. ANDRADE, Mário Pinto de (org.). Textos de apoio à história da África. Luanda: INEP, 2015. ARAUJO, Ana Lucia. Escravidão e memória: reconfigurações do passado no Brasil e no Benin. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricity: The theory of social change. Chicago: African American Images, 1980. CUTI (Luiz Silva). Literatura negro-brasileira: os caminhos de uma escrita. São Paulo: Selo Negro, 2010. DIOP, Cheikh Anta. A unidade cultural da África negra: domínio das línguas. São Paulo: UNESP, 2010. FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008. FINNEGAN, Ruth. Literatura oral na África. Brasília: INL, 1977. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: Saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017. GONÇALVES E SILVA, Petronilha B. (org.). Relações étnico-raciais, educação e descolonização do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. HILLMAN, James. O código do ser: um guia arquetípico para o destino pessoal. São Paulo: Objetiva, 2000. HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013. MAZAMA, Ama. The Afrocentric paradigm. Trenton: Africa World Press, 2003. MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: N-1 Edições, 2014. NETO, Maria da Conceição. Línguas nacionais em Angola: o umbundu. Luanda: Centro de Estudos e Investigação Científica - UCAN, 2011. NG¿G¿ wa Thiong¿o. Descolonizar a mente: a política da linguagem na literatura africana. São Paulo: Kapulana, 2017. OLIVEIRA, Edson (org.). África-Brasil: laços ancestrais. Salvador: EDUFBA, 2010. OLIVEIRA, Kiusam de. Omo-Oba: Histórias de princesas. São Paulo: Peirópolis, 2009. RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017. RODNEY, Walter. Como a Europa subdesenvolveu a África. São Paulo: Expressão Popular, 2007. SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. SERRANO, Carlos. Os PALOP e a educação comparada. Lisboa: Instituto de Cooperação e da Língua, 2012. SOMÉ, Malidoma Patrice. Of water and the spirit: ritual, magic, and initiation in the life of an African shaman. New York: Penguin Books, 1995. SOMÉ, Sobonfu. O espírito da intimidade: sabedoria africana para os relacionamentos. São Paulo: Cultrix, 2004. ZAÚ, António. Arquitetura tradicional em Angola: expressão da identidade cultural. Luanda: Mayamba, 2019.

Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: Cada aluno apresentará (envio por email) um plano prático aplicando o GPS em duas páginas.

Estratégias de Divulgação: Redes sociais (da Unifesp, do docente, da coordenadora)

Recursos didáticos: - GPS da Ancestralidade - Bibliografia indicada

Ementa: O GPS da Ancestralidade surge como uma ferramenta essencial para atender a uma demanda histórica e pedagógica que vai além do cumprimento da legislação brasileira: a construção de uma educação que transforme o presente e projete um futuro de igualdade, respeito e pertencimento. Com base na Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, este curso não apenas cumpre os requisitos legais, mas se aprofunda em um objetivo maior: criar uma geração de crianças, negras e brancas, que compreendam o valor da diversidade e sejam protagonistas de um mundo livre de preconceitos.