28033 - Introdução à Arqueologia Experimental da Performance
Ano Base: 2025Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino
Plano de ensino: Introdução à Arqueologia Experimental da Performance No presente projeto propomos oferecer à comunidade um curso de iniciação em teoria e prática de Arqueologia Experimental da Performance voltada para a exploração de aspectos histórico-culturais e cosmológicos em tradições coreo e lírico-dramatúrgicas ou marciais coletivas de origem não europeia que sejam praticadas sem distinção de gênero ou limite de idade O propósito do curso é refletir sobre o orientalismo na transmissão de práticas corporais de comunidades imigrantes e de refugiados de origem oriental (do Oriente Médio ao Extremo), bem como de povos originários latino-americanos, em termos de interculturalidade performática, orientalismo e auto-exotismo como marcadores distintivos. Método: As aulas serão semanais online voltadas para o estudo teórico de noções teóricas e práticas focando a exploração experimental de elementos performáticos significadores em diferentes tradições. Os participantes são incentivados a compartilhar exemplos práticos de suas modalidades específicas para configurar um espaço de intercâmbio construtivo. Podem ocorrem encontros presenciais para estudo de campo, em local e data a definir pelos partícipes.
Objetivos e Resultados Esperados: O propósito do curso é refletir sobre o orientalismo na transmissão de práticas corporais de comunidades imigrantes e de refugiados de origem oriental (do Oriente Médio ao Extremo), bem como de povos originários latino-americanos, em termos de interculturalidade performática, orientalismo e auto-exotismo como marcadores distintivos. Resultados esperados: Espera-se, com o trabalho proposto, construir junto aos envolvidos novas ferramentas metodológicas e insights para o melhor aproveitamento das suas especialidades e potencialidades, seja com o propósito de estudo, exploração artística ou visando a apropriação de tais tradições como práticas de saúde integrativa. Como resultados tangíveis, consideramos a difusão do aprendizado nos núcleos de atividade originais dos participantes.
Justificativas: Justificativa: Muitas sociedades não ocidentais pautam as suas práticas corporais por aspectos cosmológicos, simbólicos e culturais que sofrem distorções, tanto na sua transposição cênica, quanto na sua acomodação em solo estrangeiro ou ambiente urbano (se oriundas, por exemplo, do meio rural, florestal, praiano etc). Em contextos migratórios diversos, tais distorções podem variar conforme o grau de desenraizamento e de choque cultural, sendo que em ambientes predominantemente ocidentais as práticas consideradas tradicionais se reformatam ou são reinventadas (Hobsbawn, Ranger) apresentando por vezes traços de orientalismo e autoexotismo (Shay) ou radicalização identitária, seja por herança colonialista, seja em reação a esta (Díaz-Polanco, 2011) , e ainda a combinação e rearranjo de diversos desses traços conforme contexto político-cultural. Determinados grupos e sociedades percebem o modo de vida capitalista e a forma de pensar eurocêntrica como fatores de adoecimento cultural por violarem seus hábitos, valores e modos tradicionais de vida, sentindo-se afetados tanto socialmente quanto em sua dimensão vital (Albert). Esse é o caso dos povos originários e de grupos referidos como orientais, com referências espirituais fora do campo judaico-cristão que enfatizam a harmonização e integração corpo-alma-espírito, ou natureza-sociedade-cosmo. Em geral, o pertencimento identitário e a sacralização da natureza aparecem como antídotos à violência colonial e restaurador imaginário de um ecossistema perdido ou em risco na reconfiguração global das relações interculturais. Dadas as possibilidades e limites da atualização cosmológica e da perpetuação, transmissão e reformatação das tradições pré-modernas na contemporaneidade, acreditamos ser importante refletir sobre os seus processos históricos, formatos lúdicos e ressonância estética (Huizinga) transcultural, a partir do uso do corpo como artefato experimental (Lopes y Royo).
Metodologias: Método: As aulas serão semanais online voltadas para o estudo teórico de noções teóricas e práticas focando a exploração experimental de elementos performáticos significadores em diferentes tradições. Como estudo de caso, a proponente apresentará exemplos das sua pesquisa em dança no islã. Os participantes são incentivados a compartilhar exemplos práticos de suas modalidades específicas para configurar um espaço de intercâmbio construtivo. Podem ocorrem encontros presenciais para estudo de campo, em local e data a definir pelos partícipes.
Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: Noções preliminares de Arqueologia Experimental/ Arqueologia da Performance/ Campo lúdico e jogo social/ História Cultural/ Performance como categoria/ Imaginário/ Cosmologia / Orientatio, sacralização e espaço/ Modernidade e Tradição.
Referências (bibliográficas e outras): Albert, B. (2002). O ouro canibal e a queda do céu: uma crítica xamânica da economia política da natureza (Yanomami). In: Albert; Ramos, B. A. Pacificando o branco: cosmologias do contato no norte-amazônico. São Paulo, Editora da UNESP, p. 239-277. Díaz-Polanco, H. (2011). Diez tesis sobre identidad, diversidad y globalización. In: Chenaut, V.; Gómez, M.; Ortiz, H; Sierra, M. T. (org.), Justicia y diversidad en América Latina: pueblos indígenas ante la globalización. Quito: Ciesas-Flacso, p. 37-63. Hobsbawn, Eric e Ranger, Terence. (1997) A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Huizinga, Johan. (1971) Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva. Lopes y Royo, Alessandra. (2008) ReConstructing and RePresenting dance: Exploring the dance/archaeology conjunction. Stanford: Stanford University. Shay, A. (2002) Choreographic Politics: State Folk Dance Companies, Representation, and Power. California: Wesleyan University Press.
Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: Presença, participação em aula e em seminários de conclusão
Estratégias de Divulgação: Divulgação convencional em canais institucionais da Unifesp, mailing da cátedra Edward Said, catálogo de evento Siex- Proec.
Recursos didáticos: aulas expositivas com slides síncronas, disponibilização de materiais para leituras e atividades assíncronas
Ementa: Introdução à Arqueologia Experimental da Performance No presente projeto propomos oferecer à comunidade um curso de iniciação em teoria e prática de Arqueologia Experimental da Performance voltada para a exploração de aspectos histórico-culturais e cosmológicos em tradições coreo e lírico-dramatúrgicas ou marciais coletivas de origem não europeia que sejam praticadas sem distinção de gênero ou limite de idade O propósito do curso é refletir sobre o orientalismo na transmissão de práticas corporais de comunidades imigrantes e de refugiados de origem oriental (do Oriente Médio ao Extremo), bem como de povos originários latino-americanos, em termos de interculturalidade performática, orientalismo e auto-exotismo como marcadores distintivos.