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28208 - Economia solidária e autogestão de comuns
Ano Base: 2025
Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino

Plano de ensino: Introdução à Economia Solidária e à autogestão de comuns, em sete eixos pedagógicos: (1) aspectos históricos: a luta pelo direito de reunião e de associação; sociedade civil e movimentos sociais; associativismo e cooperativismo; economia solidária; autogestão de comuns. (2) conceitos fundamentais: Autogestão; Democracia Econômica; Cooperação; Solidariedade; Commoning (produção de comuns); Equidade; Consumo Responsável. Diferenças cruciais da Economia Solidária e empreendedorismo, economia criativa, economia circular etc.. (3) empreendimentos - tipologias e exemplos: coletivos, associações, cooperativas, empresas dos trabalhadores. Associações de comercialização, de consumo e de finanças solidárias; cooperativas de produção, de consumo e de crédito; coletivos de consumo responsável. (4) intercooperação - tipologia e exemplos: redes, cadeias e plataformas solidárias. (5) formalização e marketing: viabilidade, planos de negócios, estratégias comerciais;. (6) marco legal e políticas públicas: análise das políticas e programas que se relacionam, direta ou indiretamente, com a Economia Solidária. (7) comuns e território: da produção de comuns (urbanos e rurais) aos territórios solidários.

Objetivos e Resultados Esperados: Construir uma visão ampla sobre Economia solidária e autogestão de comuns, contemplando aspectos conceituais e históricos, assim como seu desenvolvimento e atualidade no Brasil. Caracterizar os empreendimentos solidários em termos de autonomia coletiva e autogestão do trabalho, diferenciando-o do empreendedorismo individual. Discutir o vínculo de trabalho associativo, diferenciando-o das modalidades empregatícia, familiar e autônoma. Desenvolver as habilidades democráticas da proposição, argumentação e negociação, essenciais para constituir, autogerir e trabalhar juntos em empreendimentos coletivos. Desenvolver capacidades empreendedoras de desenho da atividade, organização do trabalho, elaboração de estudos de viabilidade econômica e definição de estratégias de posicionamento nas redes sociais e Internet. Incentivar a intercooperação e a formação de redes, cadeias produtivas e outras modalidades de plataformas cooperativas. Discutir como a produção de comuns cria territórios solidários. Analisar o marco legal e institucional das políticas públicas direta ou indiretamente relacionadas ao tema.

Justificativas: Conforme os dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024, 2025), o Brasil tem atualmente 212,6 milhões de habitantes (estimado em 01/072024), destas, 172,6 milhões (¿¿81,2%) são ¿pessoas em idade de trabalhar¿, ou seja, com 14 anos ou mais, das quais 108,6 milhões (+1,2% anual) são consideradas na ¿força de trabalho¿ (ocupados + desocupados) e 65,5 milhões ¿fora da força de trabalho¿, o que resulta na ¿taxa de participação da força de trabalho¿ de 62,4% da população em idade para trabalhar. Embora recorde para nossa série histórica, essa taxa oculta 37,6% de ¿não-participação¿ na força de trabalho, o que é nada desprezível. Considerando os 108,6 milhões de pessoas da ¿força de trabalho¿ (ocupados + desocupados), a atual (junho de 2025) ¿taxa de desocupação¿ é de 5,8%, (¿1,1% anual), o menor valor desde o início da série. Como a ¿população desocupada¿ é de 6,3 milhões de pessoas (¿15,4% / ¿1,1 milhão de pessoas em 12 meses), a população ocupada é de 102,3 milhões (+2,4% / +2,4 milhões em 12 meses), resultando no ¿nível de ocupação¿ de 58,8% (+1,0% anual). Embora excelentes em nossa série histórica, estes números revelam que apenas 102,3 milhões de pessoas (48% da população brasileira) estão ocupadas, trabalham de forma remunerada e produzem toda a riqueza do país. Estes números também ocultam um montante desconhecido de pessoas que trabalham sem remuneração, geralmente em atividades domésticas relacionadas ao cuidado. Há um enorme contingente de pessoas, atualmente em 65,5 milhões de brasileiros adultos que, por motivos variados, estão fora da força de trabalho. Destas, 5,6 milhões (¿8,0% anual), são consideradas na ¿força de trabalho potencial¿, e poderiam trabalhar se uma oportunidade, acreditassem que essa oportunidade é para elas, e fossem requalificadas para assumir as atividades necessárias. Embora a taxa de desocupação em junho de 2025 tenha caído para 5,8% (¿1,1% anual), com a menor taxa desde o início da série, ainda são ¿6,3 milhões (¿15,4% anual) de pessoas procurando uma alternativa de trabalho. Embora o mercado de compra e venda de força de trabalho esteja em recuperação, ainda não é um cenário tranquilizador para quem busca ingressar no mundo do trabalho, pior ainda para quem tem menos de 25 anos de idade e vive na região nordeste. Olhando entre os 102,3 milhões de adultos ocupados, 39 milhões (+3,7% anual) possuem vínculo formal de trabalho com o setor privado e 12,8 milhões (+3,4% anual) com o setor público, cerca de 4 milhões são empregadores, 1,5 milhão atuam com vínculo familiar, e 25,8 milhões (+3,1% anual) declararam que atuam "por conta própria", formal (MEI, PJ) ou informalmente. Já a ¿informalidade¿ representa 37,8% da população ocupada. São 38,7 milhões de pessoas pessoas adultas, trabalhadores que atuam individual ou coletivamente e deveriam ser parte do público das ações e atividades voltadas ao fomento da Economia Solidária, do associativismo e do cooperativismo, o que se justifica por constituírem o segmento mais precarizado da classe trabalhadora e, portanto, com menos acesso à seguridade social e aos direitos trabalhistas. Mesmo considerando apenas os 5,6 milhões de pessoas da ¿força de trabalho potencial¿ (que inclui 2,8 milhões de desalentados), temos um enorme contingente de jovens e adultos que deixaram de procurar ou nunca procuraram emprego. Este é um dos públicos mais interessantes (e negligenciados) para o desenvolvimento da Economia Solidária, e este curso é especialmente pensado para incentivá-los a trilhar um caminho pela ação coletiva, autogestão e solidariedade.

Metodologias: Baseada na educação popular, a metodologia de ensino será participativa e privilegiará o diálogo de saberes e a construção coletiva dos conceitos, experiências e habilidades tratados nas aulas. As aulas serão estruturadas em três momentos: apresentação conceitual, apresentação de experiência e roda de discussão. A proposta é articular o diálogo, aula a aula, sempre combinando uma apresentação conceitual com a apresentação de experiências concretas, brasileiras ou internacionais, relacionadas a textos, documentários ou matérias jornalísticas. Todas as aulas serão antecedidas pelo envio de materiais didáticos: textos, podcasts e documentários . A cada aula será designada a realização de uma atividade prática (um ¿trabalho¿) a ser entregue na aula subsequente.

Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: (1) aspectos históricos: a luta pelo direito de reunião e de associação; sociedade civil e movimentos sociais; associativismo e cooperativismo; economia solidária; autogestão de comuns. (2) conceitos fundamentais: Autogestão; Democracia Econômica; Cooperação; Solidariedade; Commoning (produção de comuns); Equidade; Consumo Responsável. Diferenças cruciais da Economia Solidária e empreendedorismo, economia criativa, economia circular etc.. (3) empreendimentos - tipologias e exemplos: coletivos, associações, cooperativas, empresas dos trabalhadores. Associações de comercialização, de consumo e de finanças solidárias; cooperativas de produção, de consumo e de crédito; coletivos de consumo responsável. (4) intercooperação - tipologia e exemplos: redes, cadeias e plataformas solidárias. (5) formalização e marketing: viabilidade, planos de negócios, estratégias comerciais;. (6) marco legal e políticas públicas: análise das políticas e programas que se relacionam, direta ou indiretamente, com a Economia Solidária. (7) comuns e território: da produção de comuns (urbanos e rurais) aos territórios solidários.

Referências (bibliográficas e outras): ANDRADA, Cris; ESTEVES, Egeu . Sonho, história, loucura? Economia Solidária: um movimento de resistência no mundo do trabalho. In E. F. Rasera, M. S. Pereira e D. Galindo (Orgs.) Democracia Participativa, Estado e laicidade: Psicologia Social e enfrentamentos em tempos de exceção. Porto Alegre: Abrapso, 2017. IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Medidas de Subutilização da Força de Trabalho no Brasil. 2º trimestre de 2025. Publicado em 31/07/2025. KRAYCHETE, Gabriel. Puxando do Fio da Meada: Viabilidade econômica de empreendimentos associativos I. Rio de Janeiro: CAPINA, 1998. KRAYCHETE, Gabriel; Costa, Ricardo. RETOMANDO O FIO DA MEADA: Viabilidade econômica de empreendimentos associativos II. Rio de Janeiro: CAPINA, 1999. NASCIMENTO, Cláudio. Autogestão: Economia Solidária e Utopia. Otra Economía, v.2, n.3, 2008. SCHOLZ, Trebor. Cooperativismo de Plataforma: contestando a economia de compartilhamento corporativa. São Paulo: FRL, Elefante, 2016. SILVA, Sandro P.; Carneiro, Leandro M. Os novos dados do mapeamento de economia solidária no Brasil: nota metodológica e análise das dimensões socioestruturais dos empreendimentos [Relatório de Pesquisa] IPEA: Brasília, 2016 SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. São Paulo, Perseu Abramo, 2002.

Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: Exigência de 75% de frequência às aulas

Estratégias de Divulgação: Remota, por meio de ampla divulgação nas redes sociais e e-mails dirigidos a trabalhadores de empreendimentos solidários.

Recursos didáticos: Acesso à Internet. Uso de aplicativos como Whatsapp, YouTube e Google Meet. Material didático Livretos, apostilas, livros, capítulos de livro, artigos, matérias, documentários etc.disponíveis na seguinte pasta do Google Drive: https://drive.google.com/drive/folders/1_ATRZG5-sI_hCiMzNG3OfyI4xMt2hlsB?usp=sharing

Ementa: Introdução à Economia Solidária e à autogestão de comuns, em sete eixos pedagógicos: (1) aspectos históricos: a luta pelo direito de reunião e de associação; sociedade civil e movimentos sociais; associativismo e cooperativismo; economia solidária; autogestão de comuns. (2) conceitos fundamentais: Autogestão; Democracia Econômica; Cooperação; Solidariedade; Commoning (produção de comuns); Equidade; Consumo Responsável. Diferenças cruciais da Economia Solidária e empreendedorismo, economia criativa, economia circular etc.. (3) empreendimentos - tipologias e exemplos: coletivos, associações, cooperativas, empresas dos trabalhadores. Associações de comercialização, de consumo e de finanças solidárias; cooperativas de produção, de consumo e de crédito; coletivos de consumo responsável. (4) intercooperação - tipologia e exemplos: redes, cadeias e plataformas solidárias. (5) formalização e marketing: viabilidade, planos de negócios, estratégias comerciais;. (6) marco legal e políticas públicas: análise das políticas e programas que se relacionam, direta ou indiretamente, com a Economia Solidária. (7) comuns e território: da produção de comuns (urbanos e rurais) aos territórios solidários.