30125 - Turma 2 Formação Docente e Relações Étnico-Raciais a partir das religiões afro-brasileiras
Ano Base: 2026Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino
Plano de ensino: O Papel das Religiões Afro-Brasileiras na Educação Antirracista e na Formação de Professores Carga horária 08 horas Modalidade Presencial com atividades síncronas e assíncronas Ementa Estudo das relações entre racismo estrutural, intolerância religiosa e Educação a partir das religiões afro-brasileiras, com enfoque na formação docente e na construção de práticas pedagógicas antirracistas e decoloniais. Discussão sobre diáspora africana, colonialidade, representações sociais e epistemologias afro-brasileiras presentes na Umbanda e no Candomblé. Análise das Leis 10.639/03 e 11.645/08 e dos desafios da implementação da educação para as relações étnico-raciais no contexto escolar. Reflexão sobre racismo religioso, racismo ambiental e justiça ambiental, considerando as contribuições das religiões afro-brasileiras para a valorização da diversidade cultural, dos saberes ancestrais e da ética socioambiental. Objetivo Geral Discutir a relação entre intolerância religiosa, religiões afro-brasileiras e questões étnico-raciais e ambientais no contexto brasileiro, refletindo sobre suas implicações para a formação de professores e para a construção de práticas pedagógicas antirracistas. Objetivos Específicos ¿ Refletir sobre as representações sociais das religiões afro-brasileiras; ¿ Compreender processos históricos de racialização e intolerância religiosa; ¿ Discutir o papel da escola na promoção da educação antirracista; ¿ Problematizar racismo estrutural, religioso e ambiental; ¿ Relacionar as Leis 10.639/03 e 11.645/08 à prática pedagógica; ¿ Desenvolver estratégias educativas decoloniais e inclusivas. Conteúdo Programático ¿ Primeiro Encontro ¿ 21/08/2026 ¿ (carga horária 4 horas ¿ Sexta-Feira) ¿ Apresentação do grupo; apresentação da proposta; apresentação de slides com a introdução ao tema: estatísticas da intolerância religiosa no contexto brasileiro. A partir do filme ¿Cafundó¿ (disponibilizado gratuitamente no youtube) e a leitura do artigo ¿A RAIZ DO PENSAMENTO COLONIAL, será feita a discutida a origem do preconceito. ¿ Segundo Encontro ¿ ¿ 23/10/2026 ¿ (carga horária 4 horas ¿ Sexta-Feira) ¿A partir da leitura dos artigos ¿FÉ CEGA, FACA AMOLADA: O DIÁLOGO DAS RELIGIÕES BRASILEIRAS DE MATRIZ AFRICANA COM A ÉTICA AMBIENTALISTA¿ e ¿A CATEGORIA POLÍTICO-CULTURAL DE AMEFRICANIDADEOS DESDOBRAMENTOS¿ será iniciada a reflexão, por meio de um Estudo Dirigido, a respeito do Racismo Estrutural, Racismo Ambiental e Racismo Religioso. Metodologia O curso será desenvolvido por meio de aulas dialogadas, leituras orientadas, estudos dirigidos, debates, atividades reflexivas e análise de materiais audiovisuais. As atividades assíncronas incluirão leitura de textos e discussão do filme Cafundó, articulando teoria e prática docente. Avaliação A avaliação será processual e formativa, considerando participação nos encontros síncronos, realização das atividades entregues ao final de cada encontro. Referências Básicas FARIAS, L. A. Contribuições para uma educação não violenta. Curitiba: CRV, 2019. FERREIRA, M. V. A questão étnico-racial na formação de professores. São Paulo: Palas, 2019. GONZALEZ, L. A categoria político-cultural de amefricanidade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1988. RIBEIRO, D. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. SODRÉ, M. A verdade seduzida: por um conceito de cultura no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
Objetivos e Resultados Esperados: A proposta objetiva discutir a relação existente entre a intolerância religiosa, as religiões Afro-brasileiras e as questões étnico-raciais e ambientais no contexto brasileiro, bem como a importância de se abordar esta relação na formação de professores para a promoção de uma educação antirracista. ¿ Proporcionar aos professores e demais interessados a oportunidade de refletirem em como as religiões afro-brasileiras são representadas atualmente na sociedade brasileira. ¿ Refletir a respeito da construção social negativa em torno das religiões afro-brasileiras e como isso pode impactar na prática docente. ¿ Oferecer uma possibilidade de se trabalhar as questões étnico-raciais na formação de professores, utilizando a Umbanda e o Candomblé como temas transversais para a promoção de uma prática docente mais decolonial. ¿ Discutir a relação da escola e o papel dos professores enquanto agentes de uma educação antirracista, a partir de referenciais teórico-metodológicos da educação, da sociologia e do campo das religiões afro-brasileiras/questões étnico-raciais.
Justificativas: Não é de agora que o debate a respeito das questões étnico-racial se impõe em urgência e importância em nosso país, principalmente no campo da Educação, onde os desafios éticos e políticos colocados para os educadores não pode passar ao largo das questões de raça e racismo (GONZALEZ, 1988; SODRÉ, 2015). Contudo, ainda que a estrutura racista brasileira não tenha mudado devido à pandemia, esta escancarou o racismo estrutural existente no país, intensificando o quadro de imensa desigualdade. Neste sentido, a Educação tem um desafio ainda maior, somado aos desafios já existentes antes da COVID-19. Segundo Glass (2012), uma resposta adequada à questão racial, seja em que âmbito for, requer uma transformação radical em cada um de nós, em nosso entendimento sobre nós mesmos. E isso implica em nos reconhecermos como uma sociedade racista, deixando para trás, de uma vez por toda, o mito da democracia racial (RIBEIRO, 2019), o qual teima em reaparecer em discursos protofacistas. Para tanto, a Educação no país precisa avançar na implementação efetiva de políticas públicas já existentes, como por exemplo as Leis Federais 10.639 e a 11.645, o que pressupõe que as mesmas precisam ter continuidade, verbas e apoio institucional contínuo do Estado (BRASIL, 2003; BRASIL, 2008), o que não vem ocorrendo, segundo Gomes e col. (2019). Neste estudo, os autores mostraram que existe uma lacuna entre a agenda e o efetivado, o que resulta em algumas efetivações locais, pontuais em cidades ou escolas, mas muito pouco, efetivamente nas Redes Estaduais e Municipais. Outra dimensão dessa problemática é a gestão escolar e a formação de professores. Neste sentido, Filice (2011) reflete que as dificuldades na efetiva implementação das políticas étnico-raciais no contexto escolar residem principalmente no fato que ainda existe uma negação generalizada da existência do racismo e que a prática racista e ideológica está tão profunda no inconsciente e imaginário coletivo, que estes interferem diretamente na efetividade de implementação de uma educação antirracista. E isso se agrava na questão da formação de professores, os quais, de uma forma geral, não possuem a formação necessária para abordar a temática com a profundidade e criticidade necessária, principalmente no que diz respeito às religiões afro-brasileiras. Então, ao invés de clarificar, muitas vezes obscurecem o que realmente está acontecendo ou praticam atos de extrema violência no contexto escolar, conforme discute Farias (2019). Ferreira (2019) também reflete a respeito desta problemática em seu livro ¿A questão étnico-racial na formação de professores¿, no qual a autora aponta que a universidade ainda não conseguiu entrelaçar a temática racial em disciplinas que o estudante, futuro docente, lecionará na educação básica. A autora também defende a inclusão de disciplinas específicas, pois em seu entendimento, o curso como um todo precisa discutir a questão étnico-racial. Neste sentido, também é preciso aprofundar com urgência o debate em relação às religiões afro-brasileiras, pois o desconhecimento a respeito do tema ainda é grande por parte da maioria dos professores, desconsiderando o seu papel no processo de formação social do país, bem como enquanto estratégia de resistência e de resgate identitário, particularmente no caso do Candomblé. De uma forma geral, tem-se socialmente compartilhada uma visão estereotipada e preconceituosa sobre a questão, fruto de uma representação social negativa desenvolvida ao longo da nossa história. As religiões de matriz africana sempre foram as que mais sofreram com a intolerância e nos últimos anos, os ataques contra os seguidores dessas religiões aumentaram (FERNANDES, 2017; FARIAS, 2019). Portanto, no entendimento que os professores são agentes fundamentais para mediar a aquisição de novos conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades, bem como a formação e o compartilhamento de novas representações e sentidos de mundo e da sociedade e sua relação com os sabe
Metodologias: Turma 2 das 14 às 18 horas - Primeiro Encontro - 21/08/2026 - (carga horária 4 horas ; Sexta-Feira) - Apresentação do grupo; apresentação da proposta; apresentação de slides com a introdução ao tema: estatísticas da intolerância religiosa no contexto brasileiro. A partir do filme Cafundó (disponibilizado gratuitamente no youtube) e a leitura do artigo - A RAIZ DO PENSAMENTO COLONIAL, será feita a discutida a origem do preconceito. Segundo Encontro 23/10/2026 - (carga horária 4 horas - Sexta-Feira) A partir da leitura dos artigos FÉ CEGA, FACA AMOLADA: O DIÁLOGO DAS RELIGIÕES BRASILEIRAS DE MATRIZ AFRICANA COM A ÉTICA AMBIENTALISTA e A CATEGORIA POLÍTICO-CULTURAL DE AMEFRICANIDADEOS DESDOBRAMENTOS - será iniciada a reflexão, por meio de um Estudo Dirigido, a respeito do Racismo Estrutural, Racismo Ambiental e Racismo Religioso.
Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: A CONTEXTUALIZAÇÃO: As Religiões Afro-brasileiras e o Preconceito (diáspora africana; período colonial no Brasil (século 16 ao 19; século 19; séculos 20/21); O Culto aos Orixás e o Sincretismo; O Candomblé e a Umbanda no Brasil; África - Cultura, Filosofia, Ciência, Tecnologia e Muito Mais; A Questão Indígena, Umbanda e Candomblé. OS DESDOBRAMENTOS: Racismo Estrutural e as Religiões Afro-brasileiras; Justiça Ambiental e Racismo Ambiental; Representações e Negritude; Legislação e Diretrizes Curriculares, A importância de abordar as religiões Afro-brasileiras na formação de professores.
Referências (bibliográficas e outras): BARROS, J.F.P; VOGEL, A.; MELLO, M.A.S. Galinha d¿angola: iniciação e identidade na cultura afro-brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 1998. BRASIL. Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9. 394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 2003. BRASIL. Lei n. 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática ¿História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena¿. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 11 mar. 2008. FARIAS. L.A. Contribuições para uma educação não violenta. Curitiba: CRV, 2019. FERNANDES, N.V.E. A raiz do pensamento colonial na intolerância religiosa contra religiões de matriz africana. Revista Calundu, v. 1, n.1, 2017. FERREIRA, M.V. A questão étnico-racial na formação de professores. São Paulo: Palas Editora, 2019. FILICE, R.C.G. Raça e classe na gestão da educação básica brasileira: a cultura na implementação de políticas públicas. Campinas: Autores Associados, 2011. FRIAS, E.R.; RIBEIRO, R.L. ¿A Professora Destruiu Minha Pulseira de Orixá e Todo Mundo Riu¿: O Psicólogo Escolar Diante da Discriminação Religiosa. In: Laicidade, Religião, Direitos Humanos e Políticas Públicas, v.1, Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, 2016. GLASS. R.D. Entendendo raça e racismo: por uma educação racialmente crítica e antirracista. R. bras. Est. pedag., v. 93, n. 235, 2012. GOMES, D.P.; CARMO, K. T.; SILVA, E.V.M. Aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08 nas aulas de educação física: diagnóstico da rede municipal de Fortaleza/CE. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, v..41 n. 4, 2019. GONZALEZ, L. A categoria político cultural da amefricanidade. In: Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, p. 69-82, 1988. RIBEIRO, D. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. SODRÉ, M. A verdade seduzida: por um conceito de cultura no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. _________. Claros e escuros: identidade, povo, mídia e cotas no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2015. VERRANGIA, D.; GONÇALVES E SILVA, B. Cidadania, relações étnico-raciais e educação: desafios e potencialidades do ensino de ciências. Educação e Pesquisa, v. 36, n. 3, 2010.
Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: 1) Atividades entregues ao final de cada encontro. 2) Para efeitos de certificação será considerado a presença nos encontros síncronos e a entrega das atividades assíncronas com no mínimo 75% de participação. Para avaliação da proposta será disponibilizado questionário online: Iniciais do nome:____________________ Cidade/Estado:_____________________ Idade:_____________________________ Gênero:___________________________ Formação:__________________________ Atua na área de ensino. Em que nível?______________________________________ Qual o seu interesse em fazer o curso?______________________________________ 1) O curso atendeu aos objetivos propostos? ( ) Muito Pouco ( ) Parcialmente ( ) Razoavelmente ( ) Totalmente 2) O curso foi relevante para sua formação ou atuação profissional? ( ) Muito baixo ( ) Baixo ( ) Razoável ( ) Alto ( ) Muito Alto 3) O tema abordado e forma como a sequência de atividades foi planejada, atenderam suas expectativas iniciais? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez 4) Seu grau de entendimento dos assuntos abordados no curso foi: ( ) Muito baixo ( ) Baixo ( ) Razoável ( ) Alto ( ) Muito Alto 5) Seu comprometimento com o curso (participação nos encontros síncronos e realização das atividades ) foi: ( ) Muito baixo ( ) Baixo ( ) Razoável ( ) Alto ( ) Muito Alto 6) O grau de domínio da professora sobre o conteúdo foi: ( ) Muito baixo ( ) Baixo ( ) Razoável ( ) Alto ( ) Muito Alto 7) A explicação da professora sobre o conteúdo foi: ( ) Péssimo ( ) Ruim ( ) Regular ( )Bom ( )Excelente 8) A forma que o conteúdo foi apresentado (slide, PDF e etc) foi: ( ) Péssimo ( ) Ruim ( ) Regular ( )Bom ( )Excelente 9) Você gostaria de deixar algum comentário, sugestões ou críticas?
Estratégias de Divulgação: A própria secretaria de Educação de Diadema vai divulgar na rede interna.
Recursos didáticos: Data show.
Ementa: Estudo das relações entre racismo estrutural, intolerância religiosa e Educação a partir das religiões afro-brasileiras, com enfoque na formação docente e na construção de práticas pedagógicas antirracistas e decoloniais. Discussão sobre diáspora africana, colonialidade, representações sociais e epistemologias afro-brasileiras presentes na Umbanda e no Candomblé. Análise das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, das diretrizes curriculares para a educação das relações étnico-raciais e dos desafios da implementação no contexto escolar. Reflexão sobre racismo religioso, racismo ambiental e justiça ambiental, considerando as contribuições das religiões afro-brasileiras para a valorização da diversidade cultural, dos saberes ancestrais e da ética socioambiental. Desenvolvimento de estratégias pedagógicas voltadas à promoção de uma educação crítica, inclusiva, antirracista e comprometida com os direitos humanos.