30872 - Economia Solidária no Limite
Ano Base: 2026Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino
Plano de ensino: A disciplina analisa criticamente os fundamentos da economia contemporânea à luz da sociologia econômica e da economia ecológica, problematizando a ideia de crescimento ilimitado em um mundo finito. Discute a crise do pensamento econômico e suas implicações sociais, ambientais e subjetivas, abordando temas como desigualdade, alienação, limites biofísicos e esgotamento do paradigma do progresso. Apresenta a economia solidária como alternativa baseada em cooperação, autogestão e redes de contato sociais, articulando teoria e prática. Integra ainda os conceitos de invenção, descoberta, desenvolvimento e imaginação como motores de transformação econômica e social.
Objetivos e Resultados Esperados: Compreender criticamente a crise do paradigma econômico contemporâneo, reconhecendo seus limites sociais, ecológicos e institucionais, e analisar a economia solidária como uma forma de reorganização da vida econômica baseada na cooperação, na democracia econômica e na sustentabilidade. Resultados esperados. Ao final da disciplina, espera-se que os estudantes sejam capazes de: - Analisar criticamente os fundamentos da economia convencional, identificando seus pressupostos, limites e implicações para a sociedade e para o meio ambiente. - Compreender a economia como um fenômeno social, historicamente construído e institucionalmente organizado, a partir das contribuições da sociologia econômica. - Relacionar economia, sociedade e natureza, reconhecendo que toda atividade econômica está condicionada por limites biofísicos e pela capacidade de regeneração dos ecossistemas. - Conhecer os fundamentos teóricos da economia solidária, compreendendo seus princípios de cooperação, autogestão, reciprocidade e desenvolvimento territorial. - Analisar experiências concretas de economia solidária, avaliando seus desafios, potencialidades e limites no contexto brasileiro e internacional. - Desenvolver capacidade crítica para avaliar alternativas ao paradigma do crescimento econômico, dialogando com a economia ecológica, o decrescimento, a Economia Donut e outras abordagens contemporâneas. - Estimular a imaginação institucional, compreendendo que diferentes formas de organizar a produção, a distribuição e o consumo são construções históricas e, portanto, passíveis de transformação.
Justificativas: Mais do que apresentar a Economia Solidária como um campo específico de práticas econômicas, a disciplina propõe uma reflexão sobre os limites do paradigma econômico contemporâneo. Parte da hipótese de que a crise atual não é apenas financeira ou produtiva, mas também epistemológica e civilizatória, exigindo a revisão das categorias que orientam a compreensão da economia. Nesse sentido, a Economia Solidária é abordada como uma das expressões da capacidade histórica de imaginar e construir novas formas de organização econômica, social e ambiental.
Metodologias: A disciplina será desenvolvida por meio de aulas expositivo-dialogadas, privilegiando a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento. A abordagem pedagógica buscará articular fundamentos teóricos da Economia Solidária, da Sociologia Econômica e da Economia Ecológica com a análise de problemas contemporâneos, estudos de caso e experiências concretas de organização econômica. As atividades compreenderão leitura e discussão de textos clássicos e contemporâneos, seminários, estudos dirigidos, debates orientados, análise de documentários e notícias, além da realização de trabalhos individuais e em grupo. Sempre que possível, serão incorporadas experiências práticas, como visitas técnicas, rodas de conversa com representantes de empreendimentos econômicos solidários ou análise de casos desenvolvidos por incubadoras tecnológicas de cooperativas populares e organizações da sociedade civil. A metodologia privilegiará a problematização dos pressupostos da economia convencional, estimulando a reflexão crítica, o diálogo interdisciplinar e a capacidade de analisar diferentes formas de organização da produção, do consumo, do trabalho e das relações econômicas. Busca-se, assim, promover uma aprendizagem que articule teoria e prática, favorecendo a compreensão da economia como um fenômeno social, histórico e ecologicamente condicionado.
Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: 1. Crise da economia contemporânea o Ilusão da abundância o Crescimento econômico e desigualdade o Crítica ao paradigma do progresso 2. Limites biofísicos da economia o Lei da entropia o Capital natural e sustentabilidade o Mundo cheio versus mundo vazio 3. Economia como construção social o Sociologia econômica o Embeddedness e instituições o Cultura, consumo e subjetividade 4. Crítica à economia unidimensional o Economia substantiva versus crematística o Reducionismo monetário o Economia e natureza 5. Economia solidária: História, fundamentos e práticas o Cooperação e autogestão o Redes e desenvolvimento local o Experiências contemporâneas 6. Economia solidária no limite o Crise socioambiental e transição o Imaginação econômica e alternativas o Invenção, descoberta, desenvolvimento e imaginação
Referências (bibliográficas e outras): Básica: FRANÇA FILHO, Genauto Carvalho de; LAVILLE, Jean-Louis. Economia solidária: uma abordagem internacional. Porto Alegre: UFRGS, 2004. FROMM, Erich. Ter ou ser?. Rio de Janeiro: LTC, 1976. GAIGER, Luiz Inácio. Sentidos e experiências da economia solidária no Brasil. Porto Alegre: UFRGS, 2004.FROMM, Erich. O medo à liberdade. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. KALLIS, Giorgos. Degrowth. Newcastle upon Tyne: Agenda Publishing, 2017. LAVILLE, Jean-Louis. A economia solidária: uma perspectiva internacional. Porto Alegre: UFRGS, 2009. LAVILLE, Jean-Louis. Política da economia solidária. São Paulo: Cortez, 2004. LAVILLE, Jean-Louis; GAIGER, Luiz Inácio. Economia solidária. In: CATTANI, Antonio David et al. (org.). Dicionário internacional da outra economia. Coimbra: Almedina, 2009. LATOUCHE, Serge. Pequeno tratado do decrescimento sereno. São Paulo: Martins Fontes, 2009. MARTINEZ-ALIER, Joan. The environmentalism of the poor: a study of ecological conflicts and valuation. Cheltenham: Edward Elgar, 2007. OSTROM, Elinor. Governing the commons: the evolution of institutions for collective action. Cambridge: Cambridge University Press, 1990. PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014. POLANYI, Karl. A grande transformação: as origens de nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 2000. RAWORTH, Kate. Economia donut: sete maneiras de pensar a economia do século XXI. Rio de Janeiro: Zahar, 2019. STEINER, Philippe. A sociologia econômica. São Paulo: Atlas, 2006. TAYRA, Flávio. O Capital Suicida: Racionalidade Ambiental, Autointeresse e Cooperação no Século XXI . São Paulo, Poligrafia, 2019
Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: Avaliação: A avaliação será contínua e composta por diferentes instrumentos, tais como: ¿ Trabalho escrito individual (conteúdo teórico) ¿ Trabalhos em grupo (análise de casos ou propostas de economia solidária) ¿ Participação em aula e atividades Serão considerados, além do domínio dos conteúdos, a capacidade de análise crítica, articulação teórica e reflexão sobre a realidade.
Estratégias de Divulgação: - Site do campus - Redes sociais
Recursos didáticos: Exposição oral, slides, participação de convidados.
Ementa: Estudo da crise do paradigma econômico contemporâneo e de seus limites sociais, ecológicos e institucionais. Análise da economia como construção histórica e social a partir das contribuições da Sociologia Econômica e da Economia Ecológica. Crítica à centralidade do crescimento econômico, da racionalidade instrumental e da autonomização dos mercados. Fundamentos teóricos da Economia Solidária, abordando cooperação, reciprocidade, autogestão, democracia econômica e desenvolvimento territorial. Discussão de experiências nacionais e internacionais de economia solidária e de outras formas de organização econômica orientadas pela sustentabilidade, justiça social e ação coletiva. Reflexão sobre os desafios da transição para modelos econômicos compatíveis com os limites ecológicos do planeta e com a construção de sociedades mais democráticas e solidárias.