SIEX - Sistema de Informações de Extensão

30944 - Letramentos, Educação Popular e Rede Social
Ano Base: 2026
Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino

Plano de ensino: O curso será ofertado com 2 encontros formativos por semana, com 3 (três) horas de duração cada um. Ao todo, serão 32 encontros, somando 96 (noventa e seis) horas em sala de aula no total. Adicionalmente, serão promovidos 3 (três) encontros integradores, de caráter sociocultural, que reunirão todas as turmas em andamento no respectivo território, com duração de 4 (quatro) horas, totalizando 12 (doze) horas. Durante o curso, estão programadas atividades complementares de estudo, realizadas pelos educandos(as) para fixação e reforço de conteúdo, com 2 (duas) horas para cada uma das 16 (dezesseis) semanas do curso, o que resulta em mais 32 (trinta e duas) horas. Com isso, a carga horária total do curso é de 140 horas.

Objetivos e Resultados Esperados: Ação 1 - Ofertar curso de Letramento Social, tendo a educação popular como prática pedagógica, com o intuito de estimular o uso da língua escrita, leitura e interpretação/ produção textual, por meio da inclusão digital. Metas: 1.1. atender 480 participantes na fase 1 e 480 na fase 2. Total: 960 pessoas beneficiadas 1.2. fornecer material escolar, camiseta de uniforme e espaço físico adequado e inserido nos territórios Ação 2 - Promover a inclusão digital, como forma de ampliar relações de sociabilidade, valorizar as narrativas de vida e o protagonismo dos sujeitos(as). Metas: 2.1. estimular a inclusão digital dos participantes, comprovada pela criação de novos perfis de usuários, o domínio das redes sociais e uso para serviços básicos via internet; 2.2. criar um perfil institucional nas redes sociais, com elevado engajamento digital e publicações frequentes (mínimo, 3 vezes por semana) e produções audiovisuais (mínimo, 1 vez por semana) Ação 3 - Garantir o acesso e a permanência dos educandos no curso, por meio de atenção integral aos participantes, em parceria com entidades assistenciais parceiras que já realizam ações sociais nos respectivos territórios. Metas: 3.1. implementar ações de permanência e oferecer assistência estudantil nos dias letivos; 3.2. oferecer, para pessoas em situação de rua, local para higiene e hospedagem em abrigo nos dias dos encontros, estimulando a permanência desses educandos, sob cuidados da entidade parceira. Ação 4 - Consolidar a metodologia do curso e produzir material didático para que a experiência formativa do curso possa inspirar outras iniciativas em novos territórios, em diálogo com o MEC/Secadi. Metas: 4.1. garantir a formação adequada dos educadores populares; 4.2. publicar livro (ebook) e disponibilizar material didático para difusão da experiência, com consolidação da metodologia desenvolvida e dos resultados obtidos; 4.3. promover gestão democrática, junto com as entidades parceiras e desenvolvimento de um modelo de gestão para oferta de cursos dessa natureza e/ou de EJA. O projeto prevê um processo de monitoramento e avaliação dos resultados por meio dos seguintes indicadores: a) matrículas, frequência e desempenho dos educandos, como forma de mensurar o grau de engajamento dos diferentes segmentos do público-alvo no curso; b) inclusão digital por meio da criação de novos perfis de usuários nas redes sociais, contas bancárias digitais, chaves pix etc; c) efetivação de matrículas na EJA durante e após a realização do curso, como forma de averiguar o estímulo produzido para continuidade dos estudos; d) alcance das publicações no perfil institucional do curso; e) número de acesso, downloads e citações dos materiais e publicações produzidos

Justificativas: O Projeto LER visa produzir estímulos à alfabetização e à ampliação das habilidades de leitura, interpretação e produção textual, a partir de debates sobre os temas abordados relacionados aos Letramentos Social e Digital, visando a formação cidadã e a inclusão digital, com protagonismo, por meio do uso consciente das redes sociais. Ao ampliar a inserção dos sujeitos no mundo digital em que as letras estão presentes, pretende-se produzir estímulos e ampliar o sentimento de pertencimento de que essa formação faz sentido para os participantes, com abertura de novas possibilidades de interação e ampliação das redes de sociabilidade. Com isso, pretende-se estimular que os educandos possam, de forma concomitante ao curso ou posteriormente, buscar o retorno aos estudos em EJA e/ou outras formações profissionais, necessários para uma inserção social/ profissional mais qualificada em um universo cada vez mais medido pela cibercultura, que demanda hábitos e comportamentos adequados à evolução digital.

Metodologias: A adaptação dos círculos de cultura de Paulo Freire, como uma forma de promover ações dialógicas sobre a realidade social, a partir de uma perspectiva crítica e desestabilizadora, guiará as atividades do curso, o que implicará em pesquisa inicial sobre a realidade dos educandos; seu universo vocabular; identificação de temas geradores em diálogo com os temas/ conteúdos previstos no curso; a problematização dos mesmos, de modo que os educandos possam visualizar transformações na realidade, construindo novas visões de mundo. Os educadores populares criarão as condições para que nos encontros ocorram o acolhimento individual e grupal, a escuta ativa, a criação de um ambiente seguro, com respeito e estímulo ao protagonismo e a autonomia dos educandos, com dinâmicas que privilegiem interações entre a turma, fazendo emergir experiências de vida e possibilidades de transformação (pessoal e social), eventualmente junto a pessoas convidadas pelos educandos ou familiares que possam auxiliar na inserção/aprendizagem com relação aos temas desenvolvidos no curso, especialmente quanto ao letramento digital. Essa abordagem pedagógica provoca a reflexão acerca das relações de poder e saber, de dominação e de libertação existentes na sociedade e faz ressoar vivências de opressão e segregação vividas pelos educandos que, eventualmente, podem ter sido/ser tratados como inexistentes ou invisíveis, servindo para questionar formas de reprodução da educação e de processos de escolarização que conduzem à subalternidade, à competição e à segregação. Tal abordagem colabora na compreensão do ser humano como sujeito inconcluso, imaginativo e curioso que sempre pode ¿ser mais¿ e que, tomando distância de si mesmo e da vida, se interroga sobre a realidade concreta e que não é unicamente determinada por conhecimentos científicos sistematizados, passando a atribuir outros sentidos ao ensinar-aprender (Gomes, 2019; Freire, 1996).

Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: I) Encontros Formativos - O projeto do curso está estruturado na forma de 4 módulos, de 8 encontros cada. Os dois primeiros módulos 'Existir é Resistir' e 'Cidadania e Direitos' estão focados em introduzir os conceitos dentro dos contextos vividos, captar o universo das palavras e os temas geradores das turmas, promovendo a reflexão sobre os temas propostos, estimulando os registros e a produção textual, a partir das narrativas de vida. Os dois últimos módulos 'Novos hábitos e novas sociabilidade digitais' e 'Produzindo em rede' visam ampliar os debates e a participação nas redes sociais, pelo seu uso crítico e com protagonismo dos sujeitos, a fim de inseri-los em um ambiente em que a língua escrita/leitura estão presentes, produzindo sentidos para a alfabetização/ ampliação da escolaridade, ao mesmo tempo, em que se busca estimular a interação e a ampliação das redes de sociabilidade dos(as) educandos(as). Os encontros também estão organizados em 4 eixos. São eles: Cidadania Ativa (em verde), distribuídos nos seguintes temas: Direitos Sociais (encontros 1 e 2); Mundo do Trabalho (encontros 09, 10, 17 e 18) e Combate às Fake News (encontros 25 e 26). Raça e Gênero - (em laranja) a partir do conceito de interseccionalidade (encontros 3 e 4), o respeito aos direitos humanos e às diversidades (encontros 11 e 12) e a educação antirracista (encontros 19, 20, 27 e 28). Pobreza e Desigualdades (em vermelho), com abordagem do conceito de aporofobia/ pobrefobia e contraposição ao mito da meritocracia e aos discursos de ódio em geral (encontros 5, 6, 13, 14, 21, 22, 29 e 30); Territorialidades, Cidades e Espaço Virtual (em azul): experiências sobre a formação de redes de apoio nos territórios (encontros 7 e 8); cultura e lazer nas periferias (encontros 15 e 16) e a produção de narrativas para o debate político nas redes sociais (encontros 23, 24, 31 e 32). Os encontros terão temas geradores que serão utilizados para promover o debate entre os educadores populares e as turmas e também entre os próprios educandos. A valorização das trajetórias de vida e a produção de narrativas será uma estratégia transversal que será praticada em todos os encontros, visando alfabetizar e ampliar as capacidades de leitura, interpretação, argumentação e produção textual. II) Encontros de integração sociocultural - ocorrerão 3 vezes durante o período do curso (início, meio e final). O objetivo dos encontros de integração sociocultural consiste em tentar reunir os grupos de educandas e educandos formados em diferentes territórios e promover partilhas artísticas, socialização e ampliação de repertório cultural. A duração de cada encontro será de 4h e a previsão é que aconteçam aos sábados à tarde. III) Atividades de estudos - serão contabilizadas 2 horas semanais para atividades de estudo dos(as) participantes do curso. Leituras sobre os assuntos dos encontros passados e futuros, as atividades de pesquisa na internet, a elaboração de textos para uma postagem, a descrição breve de uma imagem ou ¿meme¿, a escolha de palavras-chave, os registros dos acontecimentos por escrito e produção textual das narrativas são formas de estimular a aprendizagem como complemento e/ou preparação para os encontros formativos. A ideia é que a atividade seja proposta no final do 2º encontro semanal e retomado no 1º encontro da aula seguinte, assim se reforça também a linha condutora do curso.

Referências (bibliográficas e outras): BENJAMIN, W. O Narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 197-221. BRASIL. Ministério da Educação. Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos, 05/06/2024. BRASIL. Ministério da Educação. Lei Federal n. 13.005/2014 institui o Plano Nacional de Educação (2014-2024). BUZATO, M. E. K. Letramento e inclusão: do estado-nação à era das TIC. D.E.L.T.A., São Paulo, vol. 25, n. 1, p. 1-38, 2009. CHAUÍ, M. Cultura Política e Política Cultural. Revista de Estudos Avançados - USP, Dossiê Cultura Popular, 9 (23), abr- 1995. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/FKYqvPJSw3ChWVF6dbkBJDv/. Acesso em 26 de setembro de 2024. CORTINA ORTS, A. Aporofobia, a aversão ao pobre: um desafio para a democracia. Tradução Daniel Fabre.São Paulo: Contracorrente, 2020. CRESPO, A. B. A.; GUROVITZ, Elaine. A pobreza como um fenômeno multidimensional. Administração Pública. RAE - Eletrônica, v. 1, p. 1-12, jul, 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/raeel/a/LVPkw9yHZfJ9kvjC8VSgTsh/abstract/?lang=pt. Acesso em 26 de setembro de 2024. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREIRE, P. Educação como prática de liberdade. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnad-continua.html?edicao=38243. Acesso em 20 de setembro de 2024. GOMES, M. de O. É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz: Paulo Freire e a Pedagogia da Esperança. Retratos da Escola, v. 14, n. 29, p. 329-340, maio/ago.2020. HILL COLLINS, P.; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução Rane Souza. São Paulo: Boitempo, 2021. MACEDO, E. F. de. Parâmetros curriculares nacionais: A falácia de seus temas transversais. In: MOREIRA, Antônio Flávio (org.). Currículo: Políticas e práticas. Campinas, SP: Papirus, 1999. Coleção Magistério: formação e trabalho pedagógico). ODA, E. A.; SILVA, R. de M.; SANTOS, M. A. A. dos. Comunidades educativas: uma experiência concreta de inclusão social. In: OLIVEIRA, José L. M.; SÍVERES, L. (Orgs.) Ensaios sobre Justiça Social: refazendo o caminho da vida e da paz. Brasília: Editora Universa, 2009. p. 147-174. PINEAU, G. As histórias de vida em formação: gênese de uma corrente de pesquisa-ação-formação existencial. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.32, n.2, p. 329-343, maio/ago. 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/vBbLxwHQHLFnfrS48HYbhxw/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 26 de setembro de 2024. RIBEIRO, M. H.; FREITAS, M.T.A. Letramento digital: um desafio contemporâneo para a Educação. Educ. Tecnol. Belo Horizonte | Vol. 16 | No 3 | p.59-73 | set./dez. 2011. RIC¿UR, P. O si mesmo como outro. Tradução de ¿.. São Paulo: Martins Fontes, 2014. SACRISTÁN, J. G. (org.). O Currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Penso: 2017. SEN, A. K. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. SOARES, M. B. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 25, p. 5-17, abr. 2004. STRECK, D. R. et al. Educação Popular e Docência. São Paulo: Cortez, 2014. TONDELLO, C. T. et al. Comunidade Educativa: um olhar dos protagonistas sobre sua metodologia de construção coletiva do saber. In: SASTRE, Edilberto A. (org.) Encruzilhadas da Universidade Particular: caminhos e possibilidades. Brasília: Universa, 2006. p. 97- 106.

Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: A avaliação dos educandos será processual e formativa, a partir de registros e da documentação pedagógica originada da produção dos educandos, considerando as perspectivas apresentadas nos planos de ação pedagógica, registros em diários de campo, como instrumentos dos educadores populares e o material produzido pelos educandos. Todo o processo educacional será orientado pela supervisão pedagógica e ocorrerá, de maneira formal, no início do curso (formação inicial), ao final dos módulos e ao final do curso. Será estimulado também iniciativas de auto-avaliação dos educandos e do curso, de modo que mudanças possam ser implementadas no decorrer dos módulos, considerando e valorizando as sugestões apresentadas pelas turmas. Fará jus ao certificado de conclusão do curso o educando que tiver pelo menos 75% de frequência às aulas/atividades e desempenho satisfatório no curso.

Estratégias de Divulgação: Os encontros serão realizados nas dependências das entidades parceiras, o que garante a proximidade e o pertencimento ao espaço em que o curso será realizado. As entidades parceiras farão a busca ativa para a formação das turmas de educandos(as), bem como divulgar o curso nos meios aos quais tiver acesso (os digitais, nos projetos existentes, nos meios de comunicação locais etc).

Recursos didáticos: 1) A educação popular como prática pedagógica para o Letramento Social - o desenvolvimento dos encontros considerará o contexto em que as pessoas estão inseridas. O Letramento Social se dará pelo diálogo em torno de diferentes temas, tais como a cidadania, o mundo do trabalho, a relação com o espaço urbano e o meio ambiente, a educação antirracista e as diferentes manifestações de preconceito existentes na sociedade, com destaque para a aporofobia, também conhecida por pobrefobia ou aversão aos pobres. Inspirados na experiência dos círculos de cultura, esses temas fornecerão as palavras geradoras para a leitura, escrita e produção textual. As manifestações dos participantes e as respectivas narrativas de vida serão utilizadas como instrumentos de luta social e de sensibilização da sociedade sobre as temáticas da pobreza e da exclusão social, por meio do uso das redes sociais. 2) Letramento Digital como forma de estímulo e de protagonismo dos sujeitos - pretende-se dar visibilidade e inserir os educandos no meio digital, com protagonismo e uso crítico das redes sociais. Será criado um perfil institucional do projeto para divulgação das ações realizadas e, principalmente, das trajetórias de vida dos(as) participantes e das leituras deles(as) sobre os contextos em que estão inseridos, fomentadas pelas discussões em sala. Aqueles(as) que desejarem e consentirem terão seu depoimento gravado e publicado no perfil institucional. O estímulo à interação por meio da criação e do uso do perfil próprio de cada um(a) nas redes sociais, tem o intuito de aumentar os vínculos de sociabilidade e de ampliar o contato com a língua escrita.

Ementa: BENJAMIN, W. O Narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 197-221. BRASIL. Ministério da Educação. Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos, 05/06/2024. BRASIL. Ministério da Educação. Lei Federal n. 13.005/2014 institui o Plano Nacional de Educação (2014-2024). BUZATO, M. E. K. Letramento e inclusão: do estado-nação à era das TIC. D.E.L.T.A., São Paulo, vol. 25, n. 1, p. 1-38, 2009.