30968 - INTRODUÇÃO AO TRABALHO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS-PORTUGUÊS: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E CONTEXTOS DE ATUAÇÃO
Ano Base: 2026Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino
Plano de ensino: Este plano de ensino apresenta os aspectos pedagógicos deste curso que objetiva introduzir intérpretes, tradutores, comunidade surda, contratantes, dirigentes de instituições e outros interessados no trabalho do tradutor e do intérprete de Libras.
Objetivos e Resultados Esperados: O curso tem como objetivo geral fornecer aos participantes um panorama introdutório da tradução e a interpretação de Libras/Português como atividades profissionais. Como objetivos específicos, o curso permitirá ao participante: (i) Compreender as diferenças e semelhanças entre tradução e interpretação; (ii) Conhecer a história dos tradutores e intérpretes de Libras-português; (iii) Conhecer os diferentes campos de atuação do tradutor e do intérprete de língua de sinais a partir dos Estudos da Tradução e dos Estudos da Interpretação; (iv) Compreender os aspectos que permeiam e constituem a relação do intérprete de língua de sinais com a comunidade surda; (v) Discutir e debater a condição de minoria sociolinguística da comunidade surda e seus efeitos sobre as concepções de cultura, comunidade e identidade; (vi) Compreender os efeitos de modalidade de língua na atuação de tradutores e intérpretes de Libras.
Justificativas: Durante muito tempo, a surdez, enquanto limitação do sentido auditivo, foi enquadrada, apenas, como uma deficiência, o que impôs uma dinâmica social em que pessoas surdas precisaram ser submetidas à práticas de reabilitação e correção da deficiência. Para que pudessem ser consideradas sujeitos de direito, precisavam aprender a falar a língua oral majoritária em detrimento de outras formas de comunicação, como a gestual. Todavia, com os movimentos multiculturalistas da década de 1960, a luta das comunidades surdas ao redor do mundo e o avanço nos direitos das pessoas com deficiência, houve uma mudança paradigmática sobre a surdez, que passou a ser reconhecida a partir de uma dimensão sócio-antropológica. Com isso, a surdez, antes vista como falta, passa a ser reconhecida como traço étnico-linguístico que carrega não a ausência da capacidade de ouvir, mas a presença da visualidade de uma identidade, língua, cultura e comunidade marcada por essa característica. Essa mudança impactou, de forma significativa, a vida das pessoas surdas que passaram a ser reconhecidas não apenas como pessoas com deficiência, mas como falantes de línguas diferentes da maioria das pessoas. As línguas de sinais, faladas pelas comunidades ao redor do mundo, foram reconhecidas como línguas naturais pela Ciência Linguística na década de 1960 e, desde então, figuram como centrais na garantia dos direitos sociais das pessoas surdas ao redor do mundo. No Brasil, desde 2002, a Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão das comunidades surdas brasileiras pela Lei 10.436/02. Sua regulamentação, pelo Decreto 5.626/05, garantiu o uso da Libras em diferentes espaços sociais e abriu espaço legal para a atuação do tradutor e intérprete de Libras e língua portuguesa, profissional essencial na garantia dos direitos linguísticos das pessoas surdas para o acesso aos direitos constitucionais à educação, à saúde, à justiça e à cultura, bem como a outras diferentes esferas. A profissão foi regulamentada em 2010 pela Lei 12.319/10, mas passou por alterações recentes pela Lei 14.704/23 que determinou que o exercício da profissão é privativo para pessoas diplomadas em curso técnico na área de tradução e interpretação, curso superior de bacharelado em tradução e interpretação de Libras e Língua portuguesa ou em Letras Libras e diplomados em outras áreas do conhecimento com especialização com carga horária mínima de 360 horas com aprovação em exame de proficiência em tradução e interpretação em Libras. Apesar da regulamentação e dos diferentes avanços, a comunidade surda ainda carece de profissionais de qualidade que possuam domínio da Libras e do português e tenham competência técnico-profissional para realizar a tradução e interpretação e isso se deve, em alguns casos, por um lado, pelo desconhecimento de quem contrata esses profissionais e pela falta de formação de quem se apresenta como tradutor e como intérprete de Libras. Nesse sentido, esse curso buscará introduzir os participantes nas dimensões teórico-práticas do trabalho deste profissional apresentando desde conceitos centrais para sua atuação até os principais contextos de atuação.
Metodologias: O curso adotará uma metodologia dialógica com leitura de textos sobre as temáticas trabalhadas, dinâmicas de estudo coletivo, aula expositiva e dialógica, bem como apresentação de vídeos exemplificando e mostrando a dinâmica do trabalho desses profissionais. O Curso possui 60 horas sendo que 40 corresponde a carga horária teórica, e 20 a carga horária de atividades de estudo e de prática de pesquisa de campo e de produção de trabalho final.
Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: UNIDADE I Conceitos-chave Introdução aos conceitos de tradução e interpretação; Surdez e suas perspectivas; A surdez na visão sócio-antropológica: implicações do conceito de ¿cultura(s) surda(s)¿ na prática do tradutor e do intérprete de língua de sinais; Língua(s), cultura(s) e mediação discursiva; História dos tradutores e intérpretes de línguas orais; História dos tradutores e intérpretes de línguas de sinais; UNIDADE II Questões de (con)vivência: a relação do TILS com a comunidade surda Condição de minoria linguística da comunidade surda; O ouvinte como não-surdo e a ¿ameaça¿ que ele representa; A questão da confiabilidade da comunidade surda; O voluntariado, o profissionalismo e os limites das relações; UNIDADE III Tradução e interpretação na Esfera educacional Tradução e interpretação na Esfera artístico-cultural Tradução e interpretação na Esfera midiática Tradução e interpretação na Esfera das conferências Tradução e interpretação na Esfera da saúde Tradução e interpretação na Esfera jurídica Tradução e interpretação na Esfera religiosa
Referências (bibliográficas e outras): ALBRES, Neiva de Aquino. Implicações político-discursivas do perfil requerido dos intérpretes educacionais (Libras-português) em concursos no Brasil. In: ALBRES, Neiva de Aquino; RODRIGUES, Carlos Henrique; NASCIMENTO, Vinícius (org.). Estudos da Tradução e Interpretação de Línguas de Sinais: Contextos profissionais, formativos e políticos. Florianópolis: Editora Insular, 2022. BRITO, Fábio Bezerra de. O movimento social surdo e a campanha pela oficialização da língua brasileira de sinais. (Tese). Doutorado em Educação. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. CRUZ, Renata Cristina Vilaça. Mercado de trabalho de interpretação e de tradução Libras-português e suas implicações para a formação. (Tese). Doutorado em Estudos da Tradução), Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. FEBRAPILS. Código de Conduta e Ética, 2014. Disponível em: https://febrapils.org.br/wp-content/uploads/2022/01/Codigo-de-Conduta-e-Etica.pdf FOMIN, Carolina Fernandes Rodrigues. Teatro com interpretação para Libras: redes e relações discursivas. Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2023. NASCIMENTO, M. V. B. Formação de intérpretes de Libras e Língua Portuguesa: encontros de sujeitos, discursos e saberes (Tese). Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016. NASCIMENTO, Vinicius; NOGUEIRA, Tiago Coimbra. Tradução Audiovisual E O Direito À Cultura: O Caso Da Comunidade Surda. PERcursos Linguísticos, [S. l.], v. 9, n. 21, p. 105¿132, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/percursos/article/view/23740. Acesso em: 8 jun. 2026. NASCIMENTO, Vinícius. Meu corpo pode ser um texto? cenas de racismo na atuação de intérpretes de libras-português. EntreLetras, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 23¿46, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufnt.edu.br/index.php/entreletras/article/view/18896 . Acesso em: 8 jun. 2026. NASCIMENTO, Vinícius. Tradução e Interpretação Audiovisual da Língua de Sinais (TIALS) no Brasil: um estudo de recepção sobre as janelas de Libras na comunidade surda - Versão Sintética em Libras. Cadernos de Tradução, v. 41, n. esp. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/85302. Acesso em: 15 abr. 2026. NASCIMENTO, Vinicius; NOGUEIRA, Tiago Coimbra. Interpretação simultânea remota de Libras-português em conferências durante a pandemia de Covid-19: dimensões de uma prática emergente. Fórum Linguístico, v. 18, n. 4, p. 7006-7028, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/forum/article/view/81143. Acesso em 15 abr. 2026. ORIGUELA, D. A. Interpretação comunitária, direitos humanos e assistência social: proposta política no contexto brasileiro. TradTerm, São Paulo, v. 23, Setembro/2014. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/85578/88366 QUADROS, R. M. O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa / Secretaria de Educação Especial; Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos - Brasília: MEC; SEESP, 2004. RODRIGUES, Carlos Henrique. Tradução e línguas gestuais-visuais: a modalidade de língua em destaque. In ALBRES, Neiva de Aquino; RODRIGUES, Carlos Henrique; NASCIMENTO, Vinicius (Orgs). Estudos da Tradução e Interpretação de Línguas de Sinais: contextos profissionais, formativos e políticos. Florianópolis: Editora Insular, 2022.
Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: Os estudantes serão avaliados por 2 critérios: Participação das discussões nas aulas Entrega de uma análise de um entrevista com um tradutor e intérprete de Libras com base na bibliografia estudada
Estratégias de Divulgação: O curso será divulgado pelas redes sociais, e-mails e páginas oficiais da Unifesp e por diferentes canais e grupos de Whats App
Recursos didáticos: O curso acontecerá remotamente pelo Google Meet ou pela plataforma RNP Web conference e utilizaremos power point, análise de vídeos de domínio público com intérpretes e tradutores de Libras atuando, leitura prévia e compartilhada de textos.
Ementa: Tradução. Interpretação. Libras. Estudos da Tradução e Interpretação de Línguas de Sinais. Profissão e legislação. Comunidade surda como público-alvo do tradutor e intérprete de Libras. Esferas de atuação do tradutor e intérprete de Libras. Histórico e profissionalização.