SIEX - Sistema de Informações de Extensão

31016 - Introdução à audiodescrição para professores da Educação Básica
Ano Base: 2026
Tipo de ação: CURSO DE EXTENSÃO
Plano de ensino

Plano de ensino: Conceituação e panorama histórico da audiodescrição. Audiodescrição como recurso de acessibilidade comunicacional e como ferramenta pedagógica no contexto escolar. Reflexões sobre a eliminação de barreiras comunicacionais e a promoção da equiparação de oportunidades. Descrição de imagens estáticas e dinâmicas em materiais didáticos e pedagógicos. Modalidades de audiodescrição. Diretrizes básicas para elaboração de roteiros. O papel do consultor no processo de audiodescrição. Recursos didáticos acessíveis e sua contribuição para a aprendizagem de todos os estudantes. Esses eixos dialogam com a compreensão de que a acessibilidade não se restringe ao acesso físico, abrangendo também a comunicação, a informação e os recursos pedagógicos, dimensões indispensáveis à inclusão escolar (Sassaki, 2009; Brasil, 2015).

Objetivos e Resultados Esperados: Promover a formação inicial de professores da educação básica para a compreensão e o uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade comunicacional, de modo a subsidiar práticas pedagógicas mais inclusivas no atendimento a estudantes com deficiência visual, em conformidade com os princípios da educação inclusiva e da acessibilidade previstos na legislação brasileira (Brasil, 2008, 2015). Objetivos Específicos - Proporcionar reflexões acerca da importância da audiodescrição para a inclusão social de pessoas com deficiência visual e de outros públicos beneficiados por esse recurso. - Instrumentalizar os participantes com diretrizes básicas da audiodescrição para a elaboração de roteiros em diferentes produtos educacionais. - Refletir sobre a audiodescrição na escola como recurso de acessibilidade e ferramenta pedagógica que colabora na remoção de barreiras comunicacionais, abrindo caminhos para múltiplas leituras de mundo. - Construir, com os professores, estratégias de audiodescrição aplicadas a diferentes materiais didáticos e pedagógicos.

Justificativas: A construção de sistemas educacionais inclusivos exige a adoção de estratégias que assegurem o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes. Esse entendimento encontra respaldo na Constituição Federal de 1988, que afirma a educação como direito de todos, e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que estabelece a necessidade de garantir condições de acesso e permanência na escola (Brasil, 1988, 1996). No caso das pessoas com deficiência visual, esse compromisso passa, entre outros aspectos, pela oferta de recursos de acessibilidade comunicacional capazes de mediar o acesso a informações visuais presentes nos materiais didáticos, nas interações pedagógicas e nas práticas escolares cotidianas. Neste cenário, a audiodescrição se apresenta como recurso relevante, por traduzir em linguagem verbal elementos visuais essenciais à compreensão de imagens estáticas e dinâmicas, favorecendo o acompanhamento das atividades e ampliando as possibilidades de participação no espaço escolar. Conforme Motta e Romeu Filho (2010), a audiodescrição converte imagens em palavras, o que a torna particularmente importante em contextos nos quais o conteúdo visual ocupa lugar central na construção do conhecimento. A necessidade de formação docente nessa área torna-se ainda mais evidente quando se observa que, embora os marcos legais e as políticas públicas de inclusão reafirmem o direito à educação em condições de equidade, muitos professores ainda não tiveram acesso, em sua formação inicial ou continuada, a discussões sistemáticas sobre audiodescrição e sobre os modos de incorporá-la ao planejamento pedagógico. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva reforça a necessidade de reorganização das práticas escolares para assegurar a participação dos estudantes público-alvo da educação especial em classes comuns, o que exige investimentos concretos em acessibilidade e formação docente (Brasil, 2008). A ausência dessa formação específica, somada ao conhecimento ainda limitado acerca das barreiras comunicacionais que atravessam o cotidiano escolar, pode dificultar a construção de práticas pedagógicas efetivamente acessíveis. Nessa direção, Sassaki (2009) assinala que a acessibilidade deve ser compreendida em suas múltiplas dimensões, incluindo a dimensão comunicacional, sem a qual a inclusão tende a permanecer incompleta.

Metodologias: O curso será desenvolvido na modalidade online, com carga horária total de 32 horas, distribuídas em 8 horas de encontros síncronos e 24 horas de atividades assíncronas, realizadas por meio das plataformas Google Meet e Moodle. Os encontros síncronos serão destinados prioritariamente às atividades práticas, à problematização dos conteúdos estudados autonomamente e à socialização das produções elaboradas pelos cursistas. Nesses momentos, serão realizadas aulas expositivas dialogadas, discussões orientadas e práticas de audiodescrição de imagens estáticas e dinâmicas, buscando aproximar os participantes de situações concretas do cotidiano escolar. Essa organização metodológica considera que a formação continuada precisa articular reflexão e prática, favorecendo a apropriação de estratégias que possam ser transpostas para o trabalho pedagógico (Brasil, 2008). As atividades assíncronas contemplarão estudos autônomos com textos, vídeos e propostas de exercício, organizados de modo a oferecer a fundamentação teórica necessária para subsidiar as práticas desenvolvidas nos encontros síncronos. Essa articulação entre estudo prévio e experimentação prática visa favorecer a compreensão gradual dos conteúdos e a elaboração de estratégias aplicáveis ao trabalho docente com estudantes com deficiência visual. Tal proposta dialoga com a compreensão de que a acessibilidade comunicacional deve ser incorporada ao planejamento pedagógico e aos recursos de ensino, e não tratada como ação periférica (Sassaki, 2009; Brasil, 2015).

Conteúdo programático com responsáveis pedagógicos por tema/assunto - aula ou grupo de aulas: Unidade 1 - Fundamentos da audiodescrição e educação inclusiva - Conceito de audiodescrição. - Panorama histórico da audiodescrição. - Audiodescrição como recurso de acessibilidade comunicacional. - Relações entre audiodescrição, educação inclusiva e remoção de barreiras comunicacionais. - A audiodescrição no contexto escolar. Essa unidade introdutória busca situar a audiodescrição no campo mais amplo da acessibilidade e da educação inclusiva, considerando que a garantia de participação e aprendizagem depende da eliminação de barreiras que dificultam o acesso aos conteúdos escolares (Brasil, 2008, 2015). Unidade 2 - Diretrizes e elementos básicos da audiodescrição - Modalidades de audiodescrição. - Princípios básicos para elaboração de roteiros. - Seleção de informações relevantes em imagens e cenas. - O papel do consultor no processo de audiodescrição. - Aspectos éticos e pedagógicos do uso da audiodescrição na escola. A unidade se apoia na compreensão de que a audiodescrição envolve critérios, escolhas e organização verbal das informações visuais, exigindo planejamento e intencionalidade em sua elaboração (Motta; Romeu Filho, 2010; ABNT, 2016). Unidade 3 - Audiodescrição de imagens estáticas - Descrição de fotografias, ilustrações, figuras e imagens de livros didáticos. - Descrição de gráficos, tabelas, mapas e esquemas visuais. - Organização verbal da informação imagética para fins pedagógicos. - Adequação da descrição aos objetivos de ensino. A ênfase recai sobre recursos amplamente presentes no cotidiano escolar, cuja mediação acessível pode favorecer o acesso ao currículo e ampliar as possibilidades de participação de estudantes com deficiência visual (Brasil, 1996, 2015). Unidade 4 - Audiodescrição de imagens dinâmicas e materiais pedagógicos - Descrição de vídeos, cenas curtas e eventos ao vivo. - Planejamento de atividades pedagógicas com uso de audiodescrição. - Construção de estratégias acessíveis para diferentes recursos didáticos. - Socialização de propostas elaboradas pelos participantes. Nessa etapa, os participantes serão incentivados a relacionar o recurso da audiodescrição ao planejamento pedagógico, compreendendo-o como instrumento que pode ser incorporado às práticas docentes e aos materiais escolares, em uma perspectiva de ampliação da acessibilidade comunicacional (Sassaki, 2009; Motta; Romeu Filho, 2010).

Referências (bibliográficas e outras): ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 16452:2016: Acessibilidade em comunicação ¿ Audiodescrição. Rio de Janeiro: ABNT, 2016. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=364510. Acesso em: 10 mai. 2025. BRASIL. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2011. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7611.htm. Acesso em: 14 fev. 2025. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 05 nov. 2024. BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Dispõe sobre a proteção de dados pessoais e altera a Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. Acesso em: 13 jul. 2025. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo Escolar da Educação Básica 2024: Resumo Técnico. Brasília, 2025. GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Orgs.). Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. Disponível em: https://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf. Acesso em: 09 fev. 2025. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. KCHE, Miriam da Costa Oliveira (Org.). Pesquisa em educação: abordagens qualitativas e quantitativas. São Paulo: Cortez, 2011. MOTTA, Lívia Maria Villela de. Audiodescrição na escola: abrindo caminhos para leitura de mundo. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9788579837877. Acesso em: 03 jul. 2025. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEI). Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 05 nov. 2024. CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CNMP). Manual de atuação do Ministério Público. Brasília, DF: CNMP, 2024. Disponível em: https://www.cnmp.mp.br/portal/publicacoes/atos-e-normas/category/183-manuais?download=11434:manual-de-atuacao-do-ministerio-publico. Acesso em: 7 jul. 2025. CENTER FOR APPLIED SPECIAL TECHNOLOGY ¿ CAST. Universal Design for Learning (UDL). Wakefield, EUA, [2023]. Disponível em: https://www.cast.org/impact/universal-design-for-learning-udl. Acesso em: 03 jul. 2025. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Sinopse Estatística da Educação Básica 2024. Brasília: Inep, 2025. Disponível em: <https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/sinopses-estatisticas/educacao-basica>.

Modo e critérios da avaliação de aproveitamento: A avaliação do aproveitamento será processual e formativa, considerando o envolvimento dos cursistas nas atividades desenvolvidas ao longo do curso. Serão observados a participação nos encontros síncronos, o cumprimento das atividades propostas no ambiente virtual, a realização dos estudos autônomos e a entrega da atividade final. Mais do que aferir desempenho de modo classificatório, a avaliação buscará acompanhar a apropriação dos conteúdos e a capacidade dos participantes de mobilizar os conhecimentos construídos na elaboração de estratégias iniciais de audiodescrição aplicadas ao contexto escolar. Essa perspectiva se mostra coerente com uma formação orientada para a ampliação das condições de acesso, participação e aprendizagem no espaço escolar (Brasil, 1996, 2008).

Estratégias de Divulgação: O convite para participação no curso será realizado por meio das redes abertas do PROFEI que o pesquisador tem acesso (como grupos em redes sociais e contatos pessoais). O objetivo é garantir que todos os potenciais interessados ¿ professores do ensino básico vinculados ao programa ¿ tenham acesso à divulgação e informações iniciais sobre o curso.

Recursos didáticos: ¿ Plataforma Google Meet para realização dos encontros síncronos. ¿ Plataforma Moodle para organização das atividades assíncronas. ¿ Textos acadêmicos e normativos para estudo autônomo. ¿ Vídeos e materiais audiovisuais para análise e exercício. ¿ Imagens estáticas e dinâmicas selecionadas para práticas de audiodescrição. ¿ Materiais didáticos e pedagógicos diversos, como ilustrações, gráficos, mapas, tabelas e recursos visuais escolares. ¿ Formulários digitais para questionário diagnóstico, avaliação do curso e entrega de atividades. A seleção desses recursos considera a importância de diversificar suportes e linguagens, bem como de promover meios de acesso à informação compatíveis com os princípios da acessibilidade e da educação inclusiva (Sassaki, 2009; Brasil, 2015).

Ementa: Conceituação e panorama histórico da audiodescrição. Audiodescrição como recurso de acessibilidade comunicacional e como ferramenta pedagógica no contexto escolar. Reflexões sobre a eliminação de barreiras comunicacionais e a promoção da equiparação de oportunidades. Descrição de imagens estáticas e dinâmicas em materiais didáticos e pedagógicos. Modalidades de audiodescrição. Diretrizes básicas para elaboração de roteiros. O papel do consultor no processo de audiodescrição. Recursos didáticos acessíveis e sua contribuição para a aprendizagem de todos os estudantes. Esses eixos dialogam com a compreensão de que a acessibilidade não se restringe ao acesso físico, abrangendo também a comunicação, a informação e os recursos pedagógicos, dimensões indispensáveis à inclusão escolar (Sassaki, 2009; Brasil, 2015).