28735 - Marcel Proust e a poética do ver
Ano Base: 2025Tipo de ação: EVENTO
Programa preliminar
Programa preliminar: Des-cobrir o real pela mediação do olhar atento: eis o que faz o narrador de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. O olhar e o ver são essenciais para a construção das imagens e, consequentemente, para a condução da narrativa, inteiramente composta e impulsionada pelas visões e visualidades tecidas pelo narrador. Esta pesquisa procurou compreender como operam os modos do ver e as imagens, em especial no primeiro volume da obra, intitulado ¿No caminho de Swann¿. A partir da leitura do objeto de análise, fez-se a aproximação de conceitos e de temas que justificaram e comprovaram a hipótese proposta: ver é apresentado como instrumento fundamental para o alcance do real. As imagens são essenciais para o motivo da narrativa, essenciais para o rememorar e para o exercício de reminiscência. Elas são como o alimento para o nostálgico. Em Proust, essas imagens têm o poder de evocar, de reverberar as semelhanças dos tempos. A matéria do romance é a apreensão destas imagens, destas frágeis realidades e, ainda, dos lugares ou das ideias para qual elas conduzem. O plano do narrador é a assimilação e a organização do real, mas o único material possível para configurar o tempo perdido é a sua memória entorpecida de visões e de imagens corrompidas pelo tempo e pelo ver. Só a impressão existe. A realidade é atravessada pelo olhar. A realidade torna-se serva do ver. O que se percebe é sempre fragmento do real. A memória, então, por estar submetida à percepção subjetiva do real, nunca alcançará a plena organização do tempo. Eis porque a memória está fadada ao esquecimento, está fadada a fabular. A rememoração está estreitamente vinculada ao re-presentar este tempo perdido. A memória só pode re-figurar, re-compor, re-ver. Dito de outro modo, o que se lê em Proust, é a tradução da materialidade pura da impressão/do real. Tudo emana do ver. Por isso mesmo, foi igualmente objeto de investigação a relação do ver com o começo da ficção. O modo como a subjetividade do sujeito e como ele percebe e recebe o real interfere diretamente na sua invenção. O sujeito-artista, aqui o escritor, diz e escreve a partir do seu ver particular, da sua particular região na existência; a maneira que esse mundo original se apresenta a cada sujeito reflete em todas as escolhas inventivas posteriores deste sujeito. Em busca do tempo perdido tematiza a construção, a composição de uma dicção. Ao longo de toda a obra, acompanha-se a vida do narrador e, simultaneamente, acompanha-se a aquisição do estilo escritural desse narrador.
Objetivos e Resultados Esperados: Examinar os modos pelos quais a matéria do romance proustiano é a apreensão de imagens, de frágeis realidades e, ainda, dos lugares ou das ideias para qual elas conduzem. O plano do narrador é a assimilação e a organização do real, mas o único material possível para configurar o tempo perdido é a sua memória entorpecida de visões e de imagens corrompidas pelo tempo e pelo ver. Só a impressão existe. A realidade é atravessada pelo olhar.
Programação do evento: Dia 22 de novembro, em EaD, às 10h
Estratégias de Divulgação: Catálogo on-line UNIFESP de Atividades de Extensão