29335 - O que não desaparece: a memória. Lançamento do livro: "Memória obstinada: a lutas das mães de Osasco e Barueri", Acácio Augusto; Joana Barros e Gabriellla De Biaggi (Orgs). Editora Igrá Kniga, 2025
Ano Base: 2026Tipo de ação: EVENTO
Programa preliminar
Programa preliminar: O que não desaparece: a memória. com Joana Barros (LASInTec-Unifesp), Jonnefer Barbosa (PUC-SP), Gabriella De Biaggi (LASInTec/USP) e Zilda Maria de Paula (Associação 13 de Agosto). Lançamento do livro "Memória obstinada: a luta das mães de Osasco e Barueri", organizado por Acácio Augusto, Joana Barros e Gabriella De Biaggi. Editora Igra Kniga.
Objetivos e Resultados Esperados: Em sua carta aberta ao poeta estadunidense John Ashbery, no livro Algaravias (1996), Waly Salomão crava em seu primeiro verso que ¿a memória é uma ilha de edição¿. Frase dita por um qualquer passante, ela escancara como a função representativa da linguagem jamais dá ou dará conta do vivido. No entanto, do terrível ao saboroso, é a memória que fica. Pois ¿a vida não é uma tela e jamais adquire/o significado estrito/que se deseja imprimir nela¿. O livro e a conversa que propomos é, a um só tempo, a exposição que fazemos das memórias do vivido e do sabido em torno da trágica execução de mais de 20 pessoas na fronteira entre os municípios Osasco e Barueri, na grande São Paulo, e a reedição obstinada do que muitos querem apagar, esquecer, fazer desaparecer. Nesta exposição-conversa, não buscamos uma estória em que cada minúcia encerra uma moral, pois não há moral possível diante da obstinada lembrança de mães que perderam seus filhos de forma tão violenta. Elas sabem, como ninguém, que a vida ¿é recheada de locais de desova, presuntos,/liquidações, queimas de arquivos,/divisões de capturas,/apagamentos de trechos, sumiços de originais,/grupos de extermínios e fotogramas estourados¿. Sendo assim, o ¿que importa se as cinzas restam frias/ou se ainda ardem quentes/se não é selecionada urna alguma adequada,/seja grega seja bárbara,/para depositá-las?¿ O livro, a conversa, os encontros, os atos, as comidas quentes nas contemporâneas casas de zungus, como a de Zilda, não buscam a justiça, a redenção, a reparação ou uma política pública, se trata de transmudar, de transformar, o veneno e a ferrugem em pedaço de paraíso, ainda que irrompa um deus para resgatar o fardo humano. Este não é o fado destas mães, ele é de todos nós, pois é memória, essa matéria-prima que fica, que permanece; que não se quer se livrar, pois, com ela, se faz, refaz, edita e se reedita a vida, como um fado que se carrega sem drama, construindo a memória entre os que ficam, até golpe final que encontrará cada pessoa. Não há juízo, eles sabem que nós sabemos e esse é o fardo deles, o fado da vida de quem sobrevive derramando o sangue dos outros e que, por mais que construam valas comuns e cemitérios clandestinos, haverá quem obstinadamente constrói uma memória. Memória de luta, resistências, permanências... As políticas de segurança e suas polícias que tudo querem cuidar e controlar não penetram nas formas próprias da lembrança e da memória, ainda que sumam com o corpo, elas seguem reativada por nós, ¿como quem aperta um botão da mesa/de uma ilha de edição.¿ Em torno disso, convidamos para o relançamento do livro e uma conversa com Joana Barros, que há muito lida com a persistência oral dessas memórias de luta; Jonnefer Barbosa, que tem se dedicado em expor as tecnologias do desaparecimento em nosso continente latino-americano, como forma específica de produzir esquecimento, medo e servidão; Gabriella De Biaggi, geógrafa que pesquisa as formas securitárias estatais e privadas na cidade de São Paulo; Zilda Maria de Paula, que há mais de 10 anos mantém, obstinadamente, a memória desse trágico acontecimento no fundão da região metropolitana de São Paulo e que diz tanto sobre do que é feito isso que chamamos de Brasil.
Programação do evento: A memória que resiste é a matéria-prima, o material bruto, que constrói a recusa em ser governado pelo políticas do desaparecimento e pelas tecnologias de policiamento da vida. Iremos fazer uma mesa com o lançamento do livro que marcará a abertura da exposição de fotos. Realização e Organização: Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento (LASInTec) Departamento de Relações Internacionais e Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais: Estudos do Sul Global da EPPEN-UNIFESP Campus Osasco Apoio: CAEC e Direção Acadêmica Campus Osasco e Proec
Estratégias de Divulgação: Vamos divulgar em nosso site, nas nossas redes sociais e entre os estudantes de graduação., em especial da UC Estudos em Segurança Interncional, no curso de RI, que tem como responsável o mesmo docente dessa ação.