31585 - A Linguagem Inclusiva na Arena Latino-Americana: Regimes de Autoridade, Discurso da Norma e Políticas de Interdição na Imprensa Contemporânea
Ano Base: 2026Tipo de ação: EVENTO
Programa preliminar
Programa preliminar: Nesta palestra, organizada pelo projeto de pesquisa e extensão #NiUnaMenos: feminismos e gênero em produções culturais latino-americanas, o Prof. Dr. Daniel Mazzaro (UFU) apresenta os marcos conceituais e os resultados empíricos preliminares das duas primeiras camadas de uma pesquisa de pós-doutorado, dedicada a cartografar as disputas em torno da linguagem inclusiva de gênero no discurso midiático e institucional ibero-americano entre 2020 e 2025. A investigação parte de uma abordagem metodológica estruturada em camadas e ancora-se teoricamente na Análise Argumentativa do Discurso de Ruth Amossy (2017, 2018), na proposta semiolinguística de Patrick Charaudeau (2005, 2015), e nas formulações críticas da Linguística Queer (Borba, 2020). Na primeira etapa da exposição, investiga-se quem fala e de que lugares de enunciação se distribui o direito à palavra na grande imprensa regional. Cruzando a engenharia da pauta jornalística (Moraes, 2022) com a perspectiva arqueológica de Michel Foucault (2016), esquadrinham-se os chamados "regimes de autoridade discursiva", demonstrando como as instâncias de produção da mídia operam uma filtragem radical que confere ampla legibilidade e visibilidade a locutores tradicionais de notoriedade (burocratas de Estado, gramáticos tradicionais e juristas), enquanto empurram os contradiscursos de identidades dissidentes e ossemiotização do social (Charaudeau, 2005; 2015). Conclui-se que o Estado capta o idioma e congela a plasticidade viva do signo linguístico com a intenção explícita de bloquear a visibilidade de corpos desnaturalizantes, convertendo o texto legal em um dispositivo biopolíticodo Poder Público. Sob as lentes glotopolíticas de Louis-Jean Calvet (2002) e a noção de interdição produtiva de Foucault, examina-se o "discurso da norma" corporificado em leis, decretos executivos, portarias ministeriais e falhas judiciais de caráter punitivo na América Latina. Amparado em matrizes de análise aplicadas a um corpus empírico transnacional (envolvendo casos na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, México, Peru e Venezuela), o estudo desvela as estratégias retóricas mobilizadas para legitimar a força coercitiva da lei, assentadas em três eixos dogmáticos compartilhados pela doxa conservadora (endoxon): a defesa da pureza vernácula, o imperativo moral de proteção infantil contra uma suposta "confusão cognitiva" e a instrumentalização do macroestereótipo degradante da ¿ideologia de gênero¿ (Mazzaro; Marins-Costa, 2020) como um saber de crença altamente eficaz para obliterar a alteridade. Ao confrontar esses múltiplos cenários ¿ desde o fechamento androcêntrico nos tribunais colombianos e nas reformas curriculares do Peru e México até as intervenções executivas verticais de Milei e Bukele ¿, a investigação demonstra que a política da interdição funciona, fundamentalmente, como uma macrooperação de gestão da semiotização do social (Charaudeau, 2005; 2015). Conclui-se que o Estado capta o idioma e congela a plasticidade viva do signo linguístico com a intenção explícita de bloquear a visibilidade de corpos desnaturalizantes, convertendo o texto legal em um dispositivo biopolítico de apagamento simbólico e ontológico das dissidências no solo latino-americano.
Objetivos e Resultados Esperados: O evento faz parte das ações do projeto de extensão #NiUnaMenos e pretende trazer reflexões sobre a linguagem inclusiva na América Latina.
Programação do evento: O evento ocorrerá no dia 29/10/2026 via Google Meet das 17h30 às 19h30. O professor convidado fará uma exposição e em seguida se abrirá espaço para discussão entre as pessoas participantes.
Estratégias de Divulgação: Meios digitais de divulgação do setor de eventos do campus Unifesp Guarulhos.